Destaques | O Povo Online | 31/10/2020 05h16

Dia do Saci: conheça obras de diversas linguagens

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O Dia do Saci é celebrado neste sábado, 31, não só em Fortaleza, mas também em outros tantos territórios. Uma festa para manter vivas as imagens e narrativas míticas brasileiras, com a valorização deste personagem tão popular: o menino negro, travesso, de uma perna só, que fuma cachimbo e usa um gorro vermelho - mágico - na cabeça.

Símbolo da cultura nacional, o Saci acha-se nas brincadeiras, nos pulos, assobios e redemoinhos. No Ceará, seu dia foi oficializado na Capital, em 2007; e na cidade de Independência, em 2010. Muito dos esforços para a valorização dessa figura advém da Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci).

Em 2003, um grupo de 13 pessoas, dentre eles pesquisadores, jornalistas e escritores, se uniu em defesa da cultura popular e da difusão da tradição oral na cidade de São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo. Desde aquele ano, a organização festeja o Dia do Saci em contraponto ao Dia das Bruxas germânico (ou Halloween), comemorado também no dia 31 de outubro. Hoje, membros de todo o País perpetuam as ideias em seus respectivos estados.

O Dia do Saci foi instituído oficialmente em 2004, no Estado de São Paulo e a comemoração ganha cada vez mais adeptos pelo País. A Sosaci realiza anualmente a Festa na cidade de sua fundação, mas neste ano, devido à pandemia, a festa será on-line, por meio das mídias sociais (Instagram e YouTube) da organização. Para além do próprio Pererê, a festa homenageia os seus amigos, como Caipora, Iara, Boitatá e tantos outros.

De Monteiro Lobato

Apropriando-se do mito brasileiro, Monteiro Lobato lançou “O Saci” (1921). No livro, o autor apresenta o Sítio do Picapau Amarelo e o próprio Saci, que conta ao menino Pedrinho os segredos da mata. Outros mitos são referenciados por Lobato no livro, como a Mula-sem-cabeça e o Boitatá. Junto com o Saci, Pedrinho salva sua prima, Narizinho, do feitiço da Cuca. Conforme as edições, o livro ganhou novas adaptações para diversos públicos - disponíveis nas plataformas Amazon, Saraiva e Estante Virtual.

Antes disso, Monteiro Lobato lançou o resultado de sua pesquisa para o Estadinho, edição vespertina do O Estado de S. Paulo: “O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito” (1918). Nela, o autor apresenta os depoimentos de pessoas de várias regiões do Brasil, sobre as características do Saci. O livro está disponível na Vide Editorial, custando R$ 43.

Os mitos brasileiros não são difíceis de serem acessados pelo imaginário, por se tratarem de saberes ancestrais. Entretanto, muito da disseminação se deve à popularização das obras de Lobato para outras mídias e adaptações escolares. Sua série de livros, “Sítio do Picapau Amarelo”, com as histórias do Saci e os seus amigos, foi roteirizada posteriormente para a televisão.

“Pererê Peralta” (2001), Carlinhos Brown

A música “Pererê Peralta” (2001), composta por Carlinhos Brown e Guto Graça Mello, integra justamente a trilha sonora da série televisiva, realizada pela TV Globo. O CD “Sítio do Picapau Amarelo” é de 2001 e foi gravado pela Som Livre.

Na canção, Brown canta: “negro como a noite quase que despido, pula, pula, some e dança/ como uma criança segue seu destino/ se esconde na floresta”.

“Moleque levado saci-pererê”

Bia Bedran, compositora, cantora e contadora de histórias infantis, menciona o “moleque levado Saci-pererê” na canção "Quintal" (1992). A faixa integra o universo de músicas com histórias do menino. Ele brinca no quintal, quer andar solto no mato, mas “vive trancado dentro de você”.

“A Turma Do Pererê”, de Ziraldo

Nos anos 1960, Ziraldo lança - sozinho - a série de quadrinhos “A Turma do Pererê”, com referências às lendas, aos mitos e animais brasileiros. A publicação é a primeira revista deste tipo, feita por apenas um autor, no Brasil. Foi retirada de circulação em 1964, após o golpe militar. A Abril publicou dez números na década de 1970.

A história ganhou uma série para televisão, dirigida pelo seu filho, André Alves Pinto. Muito dessa história está contada no documentário “A Turma do Pererê.doc”, de Ricardo Favilla. O filme está disponível nas plataformas de Video ON Demand (iTunes, Google Play, Now, Vivo Play e Looke).

Saci do Museu Brinquedim

O Museu Brinquedim, em Pindoretama, reúne o acervo do artista plástico brincante Dim Brinquedim. Brinquedos, telas e esculturas emergem o visitante num passeio pela natureza e pela arte do brincar. No lugar, há a Trilha Ecológica do Saci - onde crianças exploram a natureza em busca do menino Pererê. Sua escultura está ali, na mata, como parte de sua missão na proteção ecológica.

“A Festa do Saci”, Flávio Paiva

Mantido por alguns anos engarrafado, prisioneiro nos porões de uma velha máquina de escrever, o Saci é resgatado por seres fantásticos. Na história, real e imaginário se encontram de forma lúdica para atravessar questões diversas, como o consumismo. O jornalista e escritor Flávio Paiva prepara uma festa marcada por fantasias do Brasil. A obra, que tem ilustrações de Glair Arruda, acompanha CD com ritmos que perpetuam o mito. Disponível na plataforma Estante Virtual.

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