Gastronomia | Júlia Freitas/da Redação | 08/04/2014 08h37

Alimento dos Guatós entra na lista de produtos em extinção

Compartilhe:

Campo Grande (MS) - O arroz do Pantanal é uma espécie de grão distribuida na Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil, que inclui as regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Entrou para o catálogo mundial da Arca de Gostos do Slow Food, organização internacional, fundada em 1986, que luta para que todos possam conhecer e desfrutar da boa comida. Entre outras ações, a entidade, sem fins lucrativos, elenca os alimentos que correm o risco de extinção, como é o caso dessa iguaria.

O "Machamo" era originalmente colhido e utilizado na alimentação dos índios canoeiros do Pantanal, os Guatós, que vivem às margens do Rio Paraguai e atualmente não fazem mais uso do alimento para consumo. Em função disso, a população não-indígena que mora ao longo do rio passaram a colher os grãos, que não são plantados. As áreas utilizadas para colheita são vizinhas a um complexo de unidades de conservação (RPPNs e o Parque Nacional do Pantanal) e por conta do manejo do gado nessas áreas, a cobertura vegetal tem sido objeto de incêndio nos últimos anos.

O arroz é caracterizado como uma espécie de sabor e aroma agradável, com alto teor de proteínas e vitaminas, além de ser um produto com valor social e histórico por conta do consumo pelos indígenas em uma região em que a tradição foi prejudicada pela chegada da civilização européia. O arroz do campo, como pode ser chamado, nunca comercializado antes e começou a ser estudado por um projeto de extensão da UFMS, que passou a vendê-lo para restaurantes ligados ao movimento Slow Food. Apesar do atual elevado preço do produto, as comunidades produtoras têm discutido estratégias de incrementar a produção a fim de baixar o preço.



VEJA MAIS
Compartilhe:

PARCEIROS