Cinema | Com Observatório do Cinema | 08/08/2026 07h18

A Casa do Dragão – Crítica: 7º episódio lembra que a série é sobre dragões

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Depois de algumas semanas empurrando subtramas com colher de chá, “The Dragon in Winter” faz a coisa mais óbvia e, ainda assim, a mais esquecida por esta temporada: coloca os dragões no centro da história.

O penúltimo episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão é o mais forte da temporada justamente porque para de fingir que é um drama e assume, de peito aberto, que é uma série sobre feras que cospem fogo.

O duelo de dragões é a melhor sequência da temporada

O ponto alto vem do impasse perto de Fairmarket, com Roubovelha, Caraxes, Syrax e Fumaresia se encarando enquanto os humanos discutem embaixo. É a primeira vez que a série coloca quatro dragões na tela ao mesmo tempo, e o mais interessante nem é a violência, é a tensão de vê-los obedecendo (ou quase) aos donos. Dá para entender, ali, o orgulho e a ganância de Daemon.

Vale uma ressalva honesta: nem todo mundo pode comprar a execução. Há uma crítica justa de que a briga reduziu Roubovelha, um dos dragões selvagens mais temíveis de Westeros, a um coadjuvante fácil de dominar, quase como se o orçamento de efeitos tivesse chegado ao limite.

Concordo em parte. O impacto está lá, mas a lógica de força entre os dragões trava um pouco quando Caraxes atropela um bicho que deveria ser imprevisível e feroz.

A Casa do Dragão
O retorno de Sunfyre e o melhor Aegon da série

Se o duelo é o ápice técnico, a cena final é o ápice emocional. Cansado de fugir, Aegon decide encarar o exército Mooton e morrer como rei. Tom Glynn-Carney entrega o discurso com uma convicção que a série vinha construindo em silêncio há semanas, e aí Sunfyre sai da mata. Ver Aegon perceber que o dragão está vivo e rir no meio das chamas é ao mesmo tempo triunfante e assustador.

Pela primeira vez em muito tempo, ele parece de fato um rei, e não uma piada trágica. É o tipo de virada que paga semanas de humilhação do personagem. Glynn-Carney vem sendo, discretamente, uma das melhores atuações da série, e o episódio finalmente recompensa esse trabalho.

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As mulheres (e Daemon) roubam a cena

Fora dos dragões, o episódio é um festival de atuações. Olivia Cooke está impecável no jantar em Harrenhal, reagindo com pânico contido a cada frase de Alys Rivers enquanto percebe que está cercada por dois psicopatas.

Matt Smith mostra um Daemon diferente, mais pai do que príncipe, e sua tentativa de desculpa soa desajeitada e verdadeira justamente por não vir embrulhada em discurso grandioso. Phia Saban segue transformando as visões de Helaena no mistério mais hipnótico da produção.

O reverso disso é Rhaenyra. A escrita insiste em colocá-la tomando decisões que sabotam o próprio reinado, e a repetição desse ciclo já cansa. Entendo a ideia de mostrar uma rainha corroída pelo trono e assombrada pela sombra de Viserys, mas em algum momento a personagem precisa fazer algo além de reagir mal e se arrepender.

Vale a pena?
Como penúltimo episódio, “The Dragon in Winter” não tem o fôlego de finale que a franquia já provou saber construir, e a estrutura fragmentada continua sendo o calcanhar de Aquiles da temporada.

Mas entre o duelo de dragões e o renascimento de Aegon, ele entrega os dois melhores momentos da temporada e reacende o interesse bem na hora certa. É relembrar por que a gente ainda liga a HBO Max no domingo à noite.

Nota: 9/10

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