Cinema | Com Observatório do Cinema | 14/08/2026 14h34

Camp Rock 3: Filme acerta ao apostar em novos talentos, mas sofre com o tempo limitado

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Depois de muitos anos, Camp Rock está de volta. Em vez de repetir a fórmula dos filmes estrelados por Demi Lovato e Jonas Brothers, a nova produção decide seguir outro caminho. Camp Rock 3 apresenta uma geração inédita de jovens artistas e usa a presença de Connect 3 apenas como ponto de partida para uma história que pertence aos novos protagonistas.

A trama acompanha um grupo de adolescentes que disputa a chance de abrir a turnê de reunião da banda Connect 3. Entre apresentações, rivalidades e amizades, o filme também explora conflitos familiares e o sonho de viver da música.

A ideia funciona, mas rapidamente fica claro que o projeto tem ambições maiores do que seus 90 minutos conseguem comportar.

Novos protagonistas roubam a cena
O maior acerto de Camp Rock 3 é entender que o público precisa conhecer novos personagens.

Liamani Segura lidera o elenco como Sage, uma cantora talentosa que chega ao acampamento tentando reconstruir sua relação com o irmão, Desi, vivido por Hudson Stone. Os dois entregam as atuações mais fortes do filme e fazem com que o conflito familiar tenha tanto peso quanto a competição musical.

Lumi Pollack, Malachi Burton e Casey Trotter também encontram espaço para desenvolver personalidades diferentes entre si, fugindo dos estereótipos comuns desse tipo de produção. Ainda que alguns personagens recebam menos atenção do que mereciam, o elenco demonstra carisma suficiente para sustentar o filme.

Os Jonas Brothers e Demi Lovato aparecem de forma discreta, decisão que beneficia a narrativa.

Em vez de transformar a continuação em uma sequência nostálgica, o roteiro prefere passar o bastão para uma nova geração sem apagar a importância dos personagens clássicos.

Música convence, mas ritmo deixa a desejar
As novas canções cumprem bem seu papel e ajudam a definir a personalidade dos protagonistas.

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O roteiro também acerta ao trazer referências aos filmes anteriores sem depender delas para emocionar o público.

O problema aparece na estrutura.

Há histórias demais para pouco tempo de tela. Diversos conflitos são resolvidos de forma rápida, enquanto personagens que despertam interesse acabam sem o desenvolvimento necessário. Em vários momentos, Camp Rock 3 transmite a sensação de estar apresentando o primeiro capítulo de uma série, e não um filme.

Ainda assim, a produção recupera parte da identidade que a franquia perdeu ao longo dos anos. O foco deixa de ser apenas os números musicais para investir nas relações entre os personagens, tornando a história mais humana e acessível tanto para novos espectadores quanto para quem cresceu com os filmes originais.

Camp Rock 3 consegue renovar a franquia ao apostar em um elenco promissor e em personagens que merecem continuar suas jornadas.

No entanto, a limitação do formato impede que a história alcance todo o seu potencial. Se tivesse sido desenvolvida como uma série, provavelmente teria encontrado espaço para explorar melhor seu universo e seus protagonistas.

Camp Rock 3 está disponível no Disney+.

Nota: ★★★☆☆ (3/5)

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