Chad Powers - Crítica: 2ª temporada eleva o humor e mostra o melhor de Glen Powell
A 2ª temporada de Chad Powers entende exatamente o que fez a série funcionar em seu primeiro ano e decide ir além. A comédia do Disney+ retorna mais segura, mais absurda e disposta a colocar seus personagens em situações inesperadas. No centro de tudo continua Glen Powell, que encontra no papel duplo de Russ Holliday e Chad Powers uma ótima oportunidade para mostrar diferentes lados como ator.
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A série nasceu de uma esquete de Eli Manning para o programa Eli’s Places, mas rapidamente criou uma identidade própria. Russ é um ex-jogador de futebol americano universitário que destruiu a própria carreira por causa de sua arrogância.
Anos depois, ele usa maquiagem e próteses para assumir a identidade de Chad Powers, um sujeito estranho e aparentemente inocente que lhe permite voltar ao esporte sem ser reconhecido.
O primeiro ano terminou com Ricky Hudson (Perry Mattfeld) descobrindo a farsa. Mesmo confrontando Russ, ela decidiu preservar o segredo porque revelar a verdade poderia destruir a temporada do South Georgia Catfish e prejudicar o legado de seu pai, o treinador Jake Hudson (Steve Zahn). É a partir dessa situação que os seis novos episódios começam.
Chad Powers fica ainda mais absurda na 2ª temporada
A grande vantagem da série é não estabelecer muitos limites para sua comédia.
Chad pode dizer ou fazer praticamente qualquer coisa, e Powell aproveita essa liberdade para criar um personagem difícil de prever. O ator controla bem a diferença entre as duas identidades. Russ é mais arrogante e consciente do que está fazendo, enquanto Chad parece existir em um mundo particular, no qual até as situações mais estranhas são tratadas com naturalidade.
A 2ª temporada percebe que não precisa mais gastar tanto tempo apresentando essa dinâmica.
Isso permite que os criadores Glen Powell e Michael Waldron explorem situações ainda mais exageradas. Algumas funcionam justamente porque o roteiro leva a loucura longe sem perder completamente a ligação com os personagens.
Há sequências que começam como conflitos comuns dentro do time e terminam em lugares difíceis de imaginar.
O elenco de apoio também ganha espaço importante. Danny Cruz (Frankie Rodriguez), melhor amigo de Russ e responsável por ajudá-lo a manter sua identidade secreta, continua sendo um ótimo parceiro para Powell.
Steve Zahn aproveita cada oportunidade como Jake, enquanto Gerry (Colton Ryan), reserva de Chad e cada vez mais incomodado com sua posição, participa de alguns dos momentos mais inesperados do ano.
A volta de Mike Holliday, pai de Russ interpretado por Toby Huss, também rende uma das melhores combinações cômicas da temporada.
A relação entre pai e filho permite que Powell explore um humor diferente daquele presente nas cenas do time. A série funciona particularmente bem quando coloca personagens que conhecem o verdadeiro Russ diante da figura absurda que ele criou.
Humor abre espaço para um lado mais emocional
O crescimento da relação entre Russ e Ricky é uma das principais mudanças da temporada.
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Agora que ela conhece a verdade, suas interações com Chad ganham outro significado. Ricky sabe quem está por trás da maquiagem, mas precisa continuar tratando aquela identidade como uma pessoa diferente diante dos outros.
Powell e Mattfeld aproveitam bem essa situação. Quando ele está como Russ, os dois conseguem construir momentos mais tensos e pessoais. Quando Chad assume o controle, Ricky frequentemente precisa reagir com seriedade às atitudes absurdas do personagem. Esse contraste ajuda a relação a evoluir sem transformar a série em algo diferente do que ela sempre foi.
Steve Zahn também encontra espaço fora da comédia.
Jake já havia passado por situações difíceis no primeiro ano, mas os novos episódios permitem que o ator trabalhe melhor o lado dramático do personagem. Uma sequência no meio da temporada se destaca justamente porque reduz as piadas e confia no elenco para sustentar um momento mais pesado.
É na reta final, porém, que Chad Powers realmente surpreende.
Uma trama construída ao longo dos episódios ganha importância e aproxima a série de um suspense sem abandonar totalmente a comédia. A mudança poderia parecer deslocada, mas funciona porque surge de conflitos que já estavam sendo desenvolvidos. O absurdo continua presente, só que passa a dividir espaço com consequências muito mais sérias.
Essa decisão também impede que a série simplesmente repita sua primeira temporada. O segredo de Russ sempre foi uma ótima fonte de humor, mas depender apenas dele poderia limitar a história.
Ao explorar os efeitos da mentira sobre diferentes personagens e mudar o tom quando necessário, Chad Powers mostra que existe espaço para crescer além de sua ideia inicial.
O final confirma essa vontade de arriscar.
A temporada termina com uma grande reviravolta e deixa uma situação importante sem solução, abrindo caminho para um terceiro ano. Mais do que criar expectativa pelo próximo episódio, a escolha mostra que a série está disposta a mudar sua própria fórmula.
A 2ª temporada de Chad Powers é mais engraçada, mais segura e emocionalmente mais completa que a primeira. Glen Powell continua sendo a principal força da produção, mas o crescimento do elenco de apoio e a disposição para experimentar novos caminhos fazem a diferença.
Ao invés de apenas repetir a piada que deu origem à série, os novos episódios provam que ainda há muito a explorar nessa identidade falsa.
Nota: ★★★★½ 4,5/5
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